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12

Feb

Algumas considerações

Por @mais__nada

Eu vivo procurando alguém que sofra como eu também, mas não consigo achar ninguém.

Vivendo de circunlóquios. Não sei onde foi parar a poesia que um dia existiu em mim. 

Ou talvez eu saiba.

Tenho visto muitas pessoas e matado muitas saudades. Tenho construído muitas saudades.

Tenho construído muita coisa.

Cometi mais erros do que gostaria e não me arrependo de nenhum. Vou continuar errando. Já vivi uma vida inteira e sinto que ainda vou quebrar a cara tantas vezes quanto permitir minha moral.

Preciso, inclusive, rever minha moral. Ela machuca.

Em três semanas tive mais epifanias do que em toda a vida. 

Acendo um cigarro sempre que um suspiro longo bate na porta. Sento-me a beira do abismo e espero a fumaça fazer desenhos de mãe Dinah. Ainda é cedo para conclusões de qualquer tipo, mas minha intuição nunca falhou.

E a maldita fumaça nunca mentiu.

Estou na fase de ler textos velhos e refletir sobre. A filosofia mais barata que já vi na vida. E a mais eficaz.

04

Jan

So many things to see and do

Por @mais__nada

Choose Life. Choose a job. Choose a career. Choose a family. Choose a fucking big television, choose washing machines, cars, compact disc players and electrical tin openers. Choose good health, low cholesterol, and dental insurance. Choose fixed interest mortage repayments. Choose a starter home. Choose your friends. Choose leisurewear and matching luggage. Choose a three-piece suite on hire purchase in a range of fucking fabrics. Choose DIY and wondering who the fuck you are on a Sunday morning. Choose sitting on that couch watching mind-numbing, spirit-crushing game shows, stuffing fucking junk food into your mouth. Choose rotting away at the end of it all, pishing your last in a miserable home, nothing more than an embarrassment to the selfish, fucked up brats you spawned to replace yourself. Choose your future. Choose life. But why would I want to do a thing like that?

Renton - Trainspotting

Sei que o texto não é meu, mas li o tuíte e logo pensei nesse trecho. E but why would I want to do a thing like that? não sai da minha cabeça. Essas escolhas são realmente necessárias? Todo esse planejamento de vida doente?


I chose not to choose life: I chose something else. And the reasons? There are no reasons.

E esse filme tem uma trilha sonora fantástica.

07

Nov

Sobre a arte de não compreender

Por @mais__nada

- O que é o amor para você?
- Ahn?
- Ora, temos concepções diferentes sobre o que é amar alguém. Para você sentimentos não passam de impulsos elétricos enviados pelo seu cérebro que provocam em você algum tipo de reação. Para você, qualquer relação envolve troca de interesses e posse. Gostaria de saber, então, o que eu sou.
- Por quê?
- Porque se eu não passar de um pedaço de carne no qual você tem, agora, algum tipo de interesse ou prazer, te dou um chute no saco e vou embora.
- Excelente argumento… Mas, vejamos… 
- E então?
- Digamos que você é, para mim, como um rim. Eu posso até esquecer que está lá, às vezes, mas ele exerce uma função vital no meu organismo e eu posso até morrer se perdê-lo.
- …

- Sim, anjinho, você é o meu rim! O rim mais lindo do mundo!



(cena).



O casal anda de mãos dadas pela avenida. Com um beijo de despedida demorado, desembaraçam os dedos e seguem, separados.

Um dos beijos mais bonitos que já vi.

Foi bom enquanto durou.



(cena).



- Nunca mais quero ouvir falar de amor.
Mentira.

- Já superei.
Mentira.

- Foi só diversão, não queria nada sério.
Mentira.

- Há tempos eu queria terminar.
Mentira.

- Te odeio.
Verdade.



(cena).



Meu namorado um dia quis cometer suicídio.
Eu também.



(cena).



Sei o que do amor se não o que não é?

23

Aug

Babacas e bacanas

Por: @GigideSacche

Semana passada, terça para ser bem exata, peguei o ônibus de costume no horário de costume, como já estava cheio e não tinha mais lugar para me sentar, encostei numa das barras de ferro perto do cobrador e me coloquei a ouvir as mesmas músicas de sempre. Chegando perto do meu ponto, passei para a parte de trás do ônibus e, para a minha surpresa, tinha um cadeirante. Surpresa porque não é tão fácil encontrar cadeirante em ônibus, apesar de ter melhorado bastante o acesso, ainda é complicado subir em alguns carros e tem motorista que nem para para que o cadeirante embarque. É aqueles manés que acham que vão perder tempo com as pessoas que tem dificuldade ao subir no busão.

Pois bem, encontrei o Douglas e ele conversava alegremente com um passageiro, que a princípio nem era conhecido seu. Não demorou muito para que ele me incluísse na conversa. O trânsito do começo da BR é meio chatinho, então, dei o braço a torcer, não tive pressa.

Douglas era do tipo que poderia reclamar da sua vida, ele me pareceu ter razões o suficiente para achar tudo isso um saco. Ele poderia largar de mão os estudos, já que ele ficou fora da escola por cinco anos por causa dos seus problemas nas pernas. Pelo contrário, esse ano ele vai prestar vestibular em faculdades públicas para Medicina. Ele poderia me ignorar e se fazer de coitado por ser negro. Não, em nenhum momento ele se fez de vítima, nem culpou sua genética. Ele estava feliz, confiante… Douglas é um cara bacana. Sua esperança e força de vontade me fez pensar nas minhas atitudes.

Ainda na semana passada, no dia 18, no debate promovido pela Folha e pelo UOL, Dilma Rousseff disse:

O câncer é uma doença curável, especialmente quanto é detectado no início. Temos que acabar com esse preconceito contra o câncer

Eu ainda sensibilizada pela recente experiência com o câncer da minha mãe, até achei válida sua declaração, mas me dei conta do seguinte fato: O câncer de mama é a maior causa de morte entre as brasileiras. Em miúdos, enquanto a minha mãe teve a oportunidade de avaliar anualmente, desde os trinta o nódulo que ela tinha na mama esquerda, milhares de mulheres são consumidas pelo carcinoma enquanto esperam na fila para fazer UMA SIMPLES MAMOGRAFIA! Minha mãe trabalha como enfermeira num hospital de grande renome e teve a sorte de ser amparada lá e realizar toda quimioterapia de graça. E mulheres morrendo na espera da mamografia, na espera por uma consulta com um oncologista ou na fila da quimio ou radioterapia. Senhora Dilma, o que tem que acabar é com a falta de estrutura na área da saúde. 

Olha. Declaração boba e elitista.  Ou seja… 

PS: Não quero me manifestar nem pró nem contra qualquer partido político. Manifestei as opiniões de minha mãe, Silvia, e a minha. Esse texto é apartidário e seria escrito mesmo sem ser época de eleição, foi apenas um desabafo pela declaração boba, elitista e infeliz de Dilma Rousseff.

01

Aug

Uma boa desculpa

Por: @GigideSacche

As músicas são boas desculpas para qualquer tipo de pecado, principalmente aqueles que acabam com a nossa rotina; doces, pequenos e ingênuos pecados, raros prazeres.

E às vezes o que queremos são desculpas que ainda não estão na nossa playlist do mp3, para fazer coisas que precisamos fazer e ainda nem sabemos.

29

Jul

Desalinhos

Você. Sempre você. Maldito você.

O alterego ultrarromântico tem certeza de que será louco por você para sempre. O realista fala que é tesão e o modernista acha que é fase. Carol acha que são desejos mal-resolvidos. Carolina acha que é teimosia.

Acha que pode ser orgulho.

De qualquer forma, hoje, e por muito tempo mais, é em você que vou pensar enquanto me deito, repassando cada segundo, cada detalhe, e repetindo com demência duas das frases mais significativas – “c’est la vie” e “dê tempo ao tempo”.

Só ele irá resolver alguns conflitos.
E seu desejo por quem não te tem.

I’d really love to tell you, but i can never find the words to say.

Por @mais__nada

20

Jul

E o Rock?

Ligava o rádio da cozinha, escolhia a música, era sempre ela: Bohemian Rhapsody. Queen está no meu top10 com certeza e sem dúvidas, essa é a minha música favorita da banda do Freddie. E ele baixava em mim, com a vassoura na mão, fechava os olhos e estava diante de uma platéia que gritava loucamente. “Mama, uhhh… Didn’t mean to make you cry…” Cantava alto, como se eu realmente pudesse cantar alguma coisa, só fechava os olhos e agia como Mercury, com todos aqueles trejeitos. Isso, para mim, é o Rock! E acho que o mundo precisa do Rock.

O mundo precisa de mais atitude, de aumentar o som, de mais diversão, de mais consciência, mais liberdade. É impressão minha ou o planeta em que vivemos está quadradinho demais, certinho demais e careta demais? Tudo hoje parece ter uma definição perfeita, é tudo branco no preto, certo ou errado. Cadê o meio termo? Cadê a vontade de pensar por si? Cadê a vontade de fazer diferente? Fazer diferente de verdade, e não comprar o diferente assinado por uma grife.

E o Rock? Aonde ele está? Se subornou para ser POP? Será que ele morreu aos vinte e sete como Janis, Jim e Jimmy? Será mesmo que vão se deixar enganar, caros terrestres? Rock não é nada disso que se ouve nas rádios mais moderninhas, não. Rock também não é só um estilo (de música ou de roupa). Rock é se fazer ouvir e é lutar pelo que se acredita… Rock é empunhar uma vassoura e cantar sua música favorita.

Por @GigideSacche

11

Jul

Postiça

Por: @GigideSacche

Ela comprou unhas postiças, pois as suas de verdade não cresciam.

Ela comprou cílios postiços, pois os seus de verdade eram curtos.

As rugas com botox preencheu.

Seus seios, siliconados.

Sua boca, inflada.

Seus culotes, barriga e coxas, lipoaspirados.

Olhos azuis, de lente de contato.

Bumbum, aumentado. E era ela uma brasileira!

Seu nariz, arrebitado e diminuído.

Seus cabelos, alisados. Pelo formol, ressecados, pontas secas e seca sua vida, sem vida, cabelo caiu e então comprou uma peruca, lisa, claro!

Lasers e bisturis, silicone e ácidos desconhecidos, tudo para embelezar-se. Ah, ela queria ser famosa, cantora, não pôde. Modelo? Era muito baixa, decidiu-se ser atriz e modelou-se para viver o personagem que seria na próxima novela. A novela da vida real.

04

Jul

Aulas de umbiguismo

Por: @GigideSacche

É mais fácil sentar o popozão, ouvir meia dúzia de definições e acatá-las como definitivas. Mais fácil ainda é disseminar por aí, num telefone sem fio, factóides do que ouvimos. Mas, o que eu gosto mesmo é de questionar, procurar e ler, criar minhas próprias teorias e discutí-las por aí, eu sei que é mais difícil, às vezes dá preguiça e quase pego DP por falta, mas essa sou eu.

Não gosto de professores que dão mil explicações e fazem provas para decorar. Tão pouco gosto daqueles que fazem das suas teorias (copiadas ou não de um livro qualquer) como verdades irrefutáveis. São estes que mais se doem quando eu saio no meio da aula para ir a biblioteca. 

29

Jun

Elixir da Boa Vontade

- Me beija?
- Não (faz uma careta) você tomou café.
- E daí?
- Você sabe que eu detesto café.
- Até aí, eu detesto os homens e nunca deixei de amar ou beijar você.

(cena).


Ela arrasta seu puffe favorito até a sacada, acende o cigarro e se senta. O cheiro do café revigora suas forças e lhe dá coragem - coragem para fazer o que? - Não sabia.
Outro cigarro. A vida passa e ela nem nota, deitada no seu puffe favorito. Pensa em todas as vezes que amou e foi amada na sacada – pensa em todas as vezes que mentiu. Pensa na única vez que queria ter mentido – e amou de verdade.
Café. Por um momento ela desejou que fosse vodka – mas não tem o mesmo cheiro – olha as pessoas andando, lá na rua, e acende um cigarro. Ela é linda. Tão linda, e tão absurdamente complicada.
Absurdamente louca, absurdamente libertina. Daquelas que viciam.

- Just say you love me. Ou eu enlouqueço.

(cena).


- Um expresso duplo.
- Açúcar ou adoçante?
- Açúcar.

(cena).


Cena.

Por @mais__nada