Por: @GigideSacche

Semana passada, terça para ser bem exata, peguei o ônibus de costume no horário de costume, como já estava cheio e não tinha mais lugar para me sentar, encostei numa das barras de ferro perto do cobrador e me coloquei a ouvir as mesmas músicas de sempre. Chegando perto do meu ponto, passei para a parte de trás do ônibus e, para a minha surpresa, tinha um cadeirante. Surpresa porque não é tão fácil encontrar cadeirante em ônibus, apesar de ter melhorado bastante o acesso, ainda é complicado subir em alguns carros e tem motorista que nem para para que o cadeirante embarque. É aqueles manés que acham que vão perder tempo com as pessoas que tem dificuldade ao subir no busão.
Pois bem, encontrei o Douglas e ele conversava alegremente com um passageiro, que a princípio nem era conhecido seu. Não demorou muito para que ele me incluísse na conversa. O trânsito do começo da BR é meio chatinho, então, dei o braço a torcer, não tive pressa.
Douglas era do tipo que poderia reclamar da sua vida, ele me pareceu ter razões o suficiente para achar tudo isso um saco. Ele poderia largar de mão os estudos, já que ele ficou fora da escola por cinco anos por causa dos seus problemas nas pernas. Pelo contrário, esse ano ele vai prestar vestibular em faculdades públicas para Medicina. Ele poderia me ignorar e se fazer de coitado por ser negro. Não, em nenhum momento ele se fez de vítima, nem culpou sua genética. Ele estava feliz, confiante… Douglas é um cara bacana. Sua esperança e força de vontade me fez pensar nas minhas atitudes.
Ainda na semana passada, no dia 18, no debate promovido pela Folha e pelo UOL, Dilma Rousseff disse:
O câncer é uma doença curável, especialmente quanto é detectado no início. Temos que acabar com esse preconceito contra o câncer
Eu ainda sensibilizada pela recente experiência com o câncer da minha mãe, até achei válida sua declaração, mas me dei conta do seguinte fato: O câncer de mama é a maior causa de morte entre as brasileiras. Em miúdos, enquanto a minha mãe teve a oportunidade de avaliar anualmente, desde os trinta o nódulo que ela tinha na mama esquerda, milhares de mulheres são consumidas pelo carcinoma enquanto esperam na fila para fazer UMA SIMPLES MAMOGRAFIA! Minha mãe trabalha como enfermeira num hospital de grande renome e teve a sorte de ser amparada lá e realizar toda quimioterapia de graça. E mulheres morrendo na espera da mamografia, na espera por uma consulta com um oncologista ou na fila da quimio ou radioterapia. Senhora Dilma, o que tem que acabar é com a falta de estrutura na área da saúde.
Olha. Declaração boba e elitista. Ou seja…
PS: Não quero me manifestar nem pró nem contra qualquer partido político. Manifestei as opiniões de minha mãe, Silvia, e a minha. Esse texto é apartidário e seria escrito mesmo sem ser época de eleição, foi apenas um desabafo pela declaração boba, elitista e infeliz de Dilma Rousseff.